Ademir Mariano da Silva da Sementeira Santamélia

DICAS AGROECOLÓGICAS

A L P O R Q U I A

Em fruticultura, onde a maioria das espécies são alógamas, quer dizer, de polinização cruzada, o sistema ideal de multiplicação (reprodução), para manter as características desejáveis que se elege como superiores, seria o de estaquia, que consiste em destacar partes da planta-mãe, principalmente os ramos, e colocá-los a enraizar. Uma outra variante desta prática seria a alporquia, um método de reprodução vegetativa (assexuada) semelhante à estaquia com a diferença de que na alporquia as partes postas a enraizar não são destacadas da planta-mãe.


O que é alporquia?

A alporquia é uma técnica de multiplicação vegetativa de plantas, utilizada principalmente em algumas plantas com as quais a estaquia não funciona facilmente. Consiste em enraizarmos um ramo quando ele ainda está preso na planta, retirando a muda em seguida. Na realidade, é uma variação da mergulhia, uma outra técnica de propagação vegetativa de plantas.


Como funciona?

O método consiste em tirar um anel de casca de um galho, fazendo com que se forme uma concentração de seiva elaborada e de hormônios vegetais na área cortada, fazendo raízes novas surgirem no local.


Vantagem em relação à reprodução por estacas.

O método funciona em algumas plantas nas quais a estaquia não é eficiente. Na alporquia, a “estaca” continua recebendo água e nutrientes da planta, não utilizando somente as suas reservas, motivo pelo qual é um método mais eficiente.


Limitação da técnica

É difícil de realizar quando comparada com a estaquia, exigindo mais conhecimento e técnica de quem a faz. Comercialmente, é um método caro e de baixo rendimento, mas ainda é muito utilizado em produções comerciais de mudas frutíferas.


Como realizar a alporquia?

Podemos separar o processo em algumas etapas:

1. Inicialmente, devemos escolher um ramo de uma planta adulta. Esse ramo deve possuir de 1 a 3 cm de diâmetro. No ramo escolhido, fazendo um anelamento (retirada da casca) com a ajuda de uma lâmina afiada (faca, canivete, estilete, etc.), sendo este anel formado de 3 a 5 cm de largura (em média 1 vez e 1/2 do diâmetro do galho.

2. Cobrimos a parte anelada com um material úmido que retenha bem a água, que pode ser: fibra de coco bem curtida, entre outros possíveis. Prendemos o material com um plástico, que deve ter as suas pontas bem amarradas. Assim, ocorrerá o enraizamento do material com o passar do tempo, no local cortado.

3. Podemos fazer desde o início, um outro anelamento, pouco abaixo do local em que vai enraizar, o que força a brotação das gemas (enraizamento) no local cortado. Ao alcançarmos um enraizamento razoável, vamos cortando a base de pouco a pouco com o passar dos dias, até destacarmos completamente o ramo bem enraizado, obtendo-se assim uma nova muda.

4. Devemos passar a muda a um substrato adequado, sem que já seja plantada no seu local definitivo, já que a muda ainda é muito frágil. Essas mudas devem ser mantidas por um certo período em um local protegido do sol forte, molhado constantemente, sem encharcar, até que a muda se torne forte o bastante para ser plantada no seu local definitivo.

Infelizmente, no caso da reprodução das fruteiras, geralmente esses métodos não se viabilizam, pelo fato da maioria das espécies de interesse econômico apresentarem extremas dificuldades de enraizamento natural (baixos ou nulos índices de “pegamento” dos materiais botânicos postos a enraizar).

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