Profa. Dra. Renata Valéria

RÁDIO WEB ENTREVISTA

Hoje, a Profa. Renata Valéria Souza fala da sua participação no 46° Congresso Mundial de Apicultura.
O Programa vai ao ar todos os dias às 9h, com reprise às 21h, na Rádio Web Entrevista.

Dra. Renata Valéria Regis de Sousa Gomes, Bióloga com Doutorado em Ciência Animal, Professora do Departamento de Zootecnia – SEDE/UFRPE, desde 2010, com Atuação na área de Conservação e Melhoramento Genético de Abelhas. Concluiu o doutorado em meados de 2016, e a sua tese foi "Avaliação das características genéticas de abelhas africanizadas (Apis mellifera) importantes na seleção de abelhas rainhas matrizes para a produção de mel".

Entre as características das abelhas que Dra. Renata e sua equipe trabalham estão:

- Sanidade apícola (doenças das abelhas como o ácaro Varroa e a Nosema que é um microsporídio);
- Comportamento higiênico (que é uma característica genética herdada das abelhas africanas, que dão uma maior tolerância as abelhas a doenças e pragas. O CH é Capacidade que apresentam as abelhas operárias do gênero Apis detectarem e removerem crias mortas ou doentes do interior do ninho; e detectarem a presença de parasitas no interior das células de cria, como os ácaros, e eliminarem mediante o comportamento de “grooming”. A qualidade genética da nossa abelha africanizada controla esses problemas em menos de 24 horas).
- Qualidade reprodutiva da rainha;
- Produção e produtividade das colônias;
- Qualidade dos produtos apícolas, entre outros.

Nos dias 08 a 12 de setembro do corrente, Dra. Renata e parte de sua equipe participaram do 46º Congresso Mundial de apicultura (Apimondia) realizado em Montreal, no Canadá. Esse grandioso evento, teve na sua programação renomados pesquisadores internacionais. De acordo com os organizadores, o evento contou com a participação de pessoas de 134 países, 960 trabalhos científicos, mais de 80 palestras, mais de 5000 pessoas participando desse evento.

Segundo a pesquisadora, "para nossa alegria, levamos o nome da nossa UFRPE apresentando três (3) trabalhos resultados das nossas pesquisas. Sendo que a nossa maior surpresa foi a escolha pela Comissão Científica da Apimondia de dois trabalhos nossos para apresentação oral e um pôster".

O tema do Evento esse ano foi Apicultura junto com a agricultura com os eixos temáticos:

- Biologia das abelhas;
- Polinização e flora apícola;
- Polinização integrada das culturas na teoria e na prática;
- Saúde das abelhas - Perspectiva mundial da saúde das abelhas;
- Apicultura para o desenvolvimento rural.

"Foi um evento marcante porque começamos nossa participação na Apimondia, mostrando na nossa primeira palestra oral, que em uma Instituição Pública Federal em Pernambuco nós estamos desenvolvendo um trabalho pioneiro no Brasil no eixo APICULTURA PARA O DESENVOLVIMENTO RURAL". Na palestra, "Apicultura, mulheres e desenvolvimento sustentável", segue a pesquisadora, "mostramos resultados do nosso projeto de extensão: Apicultura e mulheres: uma doce produção".

"Mostramos como de forma simples, sem necessidade de grandes investimentos a apicultura pode gerar renda e diminuir a pobreza, especialmente nas áreas de IDH baixo, áreas que vivem pessoas em vulnerabilidade social. Quanto servidora pública federal nos sentimos com o dever cumprido, porque nosso compromisso quanto Instituição pública é com o desenvolvimento das pessoas, é com o desenvolvimento do nosso Estado, do nosso País. E o grande diferencial desse projeto, é que ele está alinhado com onze (11) dos dezessete (17) objetivos do desenvolvimento sustentável proposto pela ONU. Com a apicultura estamos promovendo e incentivando a produção de alimentos com qualidade e de forma sustentável. Abelha não desmata, não polui, não destrói.

O trabalho em equipe das mulheres e o envolvimento de suas famílias tem demonstrado um grande potencial para a diminuição da pobreza, promoção da segurança alimentar (se não vende o mel tem um alimento extremamente nutritivo e que promove a saúde e o bem-estar), uma agricultura sustentável (hoje em parceria com o prof. Jorge Mattos do Nac foram implantados SAFs nos lotes das AgroFlores de Ximenes, para adubar a terra o Departamento de Zootecnia doou 5 caminhões de esterco para garantir o enriquecimento do solo), além de todos esses impactos positivos, a apicultura também tem promovido a igualdade de gênero. É importante ressaltar que esse projeto surgiu da demanda das mulheres AgroFlores de Ximenes, que tinham interesse de trabalhar com abelhas, e ao pedir ajuda a produtor da região, ele as desencorajou com o argumento que apicultura não é atividade para mulher.

E hoje temos a perspectiva futura de valorização do produto local, por o mel dessa região ter sabor e coloração típicos da mata sul pernambucana. Nosso grande desafio é a meta 17, porque nós precisamos de parceiros. O estado, as prefeituras dos municípios, o público-privado precisam estar ativos juntos com a Universidade e a comunidade”.

Foi gratificante após nossa palestra na Apimondia, pessoas de outros países, como Portugal, EUA e do próprio Brasil, nos procurarem para falar como nosso projeto é bonito, e agora é referência não só mais no Brasil. Os resultados das nossas pesquisas-ação foi um excelente cartão de visita para mostrarmos ao mundo as pesquisas e os trabalhos que estamos desenvolvendo em Pernambuco. Ainda mais nesse momento de apelo a sensibilização das autoridades do mundo todo para a questão do desaparecimento das abelhas e suas implicações na segurança alimentar, sem abelha sem alimento. Bem como nas questões relacionadas aos impactos das mudanças climáticas na vida sobre a terra.

As abelhas são eficiente bioindicadoras da qualidade ambiental. No eixo SAÚDE DAS ABELHAS – na linha Impacto dos pesticidas nas abelhas nossa orientada da graduação em zootecnia, Hadja Lorena, fez uma brilhante apresentação do seu pôster apresentando seu trabalho de TCC “Avaliação do comportamento e parâmetros bioquímicos de abelhas Apis mellifera expostas ao glifosato”. Foi um trabalho muito visitado, ela apresentou várias vezes o trabalho, e as pessoas de várias países passavam e pediam para tirar foto do nosso pôster, então foi muito bacana.

Nos resultados mostramos que após duas horas de ingestão de xarope contaminado com o glifosato, simulando uma ingestão no campo com uma dose de 360 μL, após duas horas as abelhas já apresentavam comportamento de desorientação e letargia, e na dose de 720 μL após 6 horas começaram a morrer abelhas. Esse estudo nos ajudou a entender como é rápido o efeito neurológico do agrotóxico nas abelhas. Nossa 3ª participação e 2ª palestra na Apimondia foi no eixo SAÚDE DAS ABELHAS – Melhoramento e Apicultura livre de tratamento.

No terceiro trabalho, o tema foi Sanidade de abelhas Apis mellifera em regiões de clima quente. Nossos resultados trouxeram impactos para a plateia de mais de 1000 pessoas, porque mostramos que graças a genética da nossa abelha africanizada e a nossa condição climática, nós não precisamos utilizar nenhum acaricida, nem fungicida, evitando a utilização de fármacos para o controle de doenças e pragas, e a consequente contaminação dos produtos apícola. O que não acontece nos outros países. O problema com doenças, especialmente o ácaro Varro, que além de se alimentar da hemolinfa das abelhas deixando as abelhas desnutridas, transmite o vírus deformador de asas (DWV) o que além de ser prejudicial, pode levar a morte da colônia. O mundo lá fora vem sofrendo com os sérios danos causados por doenças e a contaminação dos produtos apícolas por precisarem usar fármacos para controle das doenças. 90% das palestras foram sobre Varroa. Então, você chega com dados das regiões da Zona da Mata e Agreste de Pernambuco que a taxa de infestação é em torno de 2 a 5%, impacta eles.

Outras Notícias

EM SINTONIA COM A NATUREZA

É um programa realizado pelo Centro Sabiá em parceria com o Brasil de Fato. Vai ao ar, na Rádio Web Agroecologia, tod...

QUE BICHO É ESSE?

Esta semana, o Zootecnista André Pimentel fala sobre os cuidados pós período de chuvas. O Programa vai ao ar todos o...