Dr. André Pimentel

QUE BICHO É ESSE?

O Novo Programa da Rádio Web Agroecologia vai ao ar às 7h, com reprise às 19h.

SÉRIE: A B E L H A

Tópico 1 - A história das abelhas e sua relação com a humanidade

As abelhas são descendentes das vespas que deixaram de se alimentar de pequenos insetos e aranhas para consumirem o pólen das flores quando essas surgiram, há cerca de 135 milhões de anos. Durante esse processo evolutivo, surgiram várias espécies de abelhas. Hoje se conhecem mais de 20 mil espécies, mas acredita-se que existam umas 40 mil espécies ainda não-descobertas. Somente 2% das espécies de abelhas são sociais e produzem mel. Entre as espécies produtoras de mel, as do gênero Apis são as mais conhecidas e difundidas.
No início, o homem promovia uma verdadeira "caçada ao mel", tendo que procurar e localizar os enxames, que muitas vezes nidificam em locais de difícil acesso e de grande risco para os coletores. Naquela época, o alimento ingerido era uma mistura de mel, pólen, crias e cera, pois o homem ainda não sabia como separar os produtos do favo. Os enxames, muitas vezes, morriam ou fugiam, obrigando o homem a procurar novos ninhos cada vez que necessitasse retirar o mel para consumo.
Os egípcios no começo, há cerca de 4400 anos conforme vários historiadores, eles começaram a colocar abelhas em potes de barro. Assim, deixando-os perto da residência do produtor. Mas esse tipo de cultivo era muito parecido com a caça primitiva do mel, onde prejudicavam e até matavam o enxame, para a extração dos produtos.
Apesar dos egípcios serem considerados os pioneiros na criação de abelhas, a palavra colmeia vem do grego, pois os gregos colocavam seus enxames em recipientes com forma de sino feitos de palha trançada, nos dias de hoje chamado de colmo.
Naquela época, as abelhas já assumiam tanta importância para o homem que eram consideradas sagradas para muitas civilizações. Com isso várias lendas e cultos surgiram a respeito desses insetos. Com o tempo, elas também passaram a assumir grande importância econômica e a ser consideradas um símbolo de poder para reis, rainhas, papas, cardeais, duques, condes e príncipes, fazendo parte de brasões, cetros, coroas, moedas, mantos reais, entre outros.
O homem no passado apenas extraia o mel das colmeias das abelhas, e tendo que procurar e localizar enxames, que ficavam muitas vezes em locais de difícil acesso, apresentando um grande risco para as pessoas que tinham que ir recolhê-lo. Ainda não sabiam como separar os outros produtos da colmeia do mel, assim ingerindo uma mistura de algumas abelhas, mel, pólen, crias e cera. Era bem comum os enxames morrerem ou fugirem, o que obrigava os homens a procurar e extrair o alimento de outros ninhos.
As abelhas tinham um papel sagrado para várias civilizações. Com isso, várias lendas e cultos surgiram a partir desses insetos. E assim, mais tarde passaram a assumir até uma grande importância econômica, sendo consideradas um símbolo de poder.
Nessa época, muitos produtores já não suportavam ter que matar suas abelhas para coletar o mel e vários estudos começaram a ir para esse sentido. O uso de recipientes horizontais e com comprimento maior que o braço do produtor foi uma das primeiras tentativas. Nessas colmeias, para colheita do mel, o apicultor jogava fumaça na entrada da caixa, fazendo com que todas as abelhas fossem para o fundo, inclusive a rainha, e depois retirava somente os favos da frente, deixando uma reserva para as abelhas.
Na Idade Média, em algumas regiões da Europa, as árvores eram propriedade do governo, sendo proibido derrubá-las, pois elas poderiam servir de abrigo a um enxame no futuro. Os enxames eram registrados em cartório e deixados de herança por escrito, o roubo de abelhas era considerado um crime imperdoável, podendo ser punido com a morte. Nesse período, muitos produtores já não suportavam ter que matar suas abelhas para coletar o mel e vários estudos iniciaram-se nesse sentido. O uso de recipientes horizontais e com comprimento maior que o braço do produtor foi uma das primeiras tentativas. Nessas colmeias, para colheita do mel, o apicultor jogava fumaça na entrada da caixa, fazendo com que todas as abelhas fossem para o fundo, inclusive a rainha, e depois retirava somente os favos da frente, deixando uma reserva para as abelhas.
Alguns anos depois, surgiu a ideia de se trabalhar com recipientes sobrepostos, em que o apicultor teria que remover a parte superior, deixando uma reserva para as abelhas na caixa inferior. Embora resolvesse a questão da colheita do mel, o produtor não tinha acesso à área de cria sem destruí-la, o que impossibilitava um manejo mais racional dos enxames. Para resolver essa questão, os produtores começaram a colocar barras horizontais no topo dos recipientes, separadas por uma distância igual à distância dos favos construídos. Assim, as abelhas construíam os favos nessas barras, facilitando a inspeção, entretanto, as laterais dos favos ainda ficavam presas às paredes da colmeia.
E os egípcios e gregos desenvolveram as rudimentares técnicas de manejo que só foram aperfeiçoadas no final do século XVII por apicultores como Lorenzo Langstroth, que desenvolveu as bases da apicultura moderna.
Em 1851, o Reverendo Lorenzo Lorraine Langstroth verificou que as abelhas depositavam própolis em qualquer espaço inferior a 4,7 mm e construíam favos em espaços superiores a 9,5 mm. A medida entre esses dois espaços Lorenzo Langstroth chamou de “espaço abelha”, que é o menor espaço livre existente no interior da colmeia por onde podem passar duas abelhas ao mesmo tempo. Consiste em permitir que a abelha trabalhe dos dois lados do favo. Tal caixa ainda é utilizada nos dias de hoje.
Essa descoberta simples foi uma das chaves para o desenvolvimento da apicultura racional. Inspirado no modelo de colmeia usado por Francis Huber, que prendia cada favo em quadros presos pelas laterais e os movimentava como as páginas de um livro, Langstroth resolveu estender as barras superiores já usadas e fechar o quadro nas laterais e abaixo, mantendo sempre o espaço abelha entre cada peça da caixa, criando, assim, os quadros móveis que poderiam ser retirados das colmeias pelo topo e movidos lateralmente dentro da caixa. A colmeia de quadros móveis permitiu a criação racional de abelhas, favorecendo o avanço tecnológico da atividade como conhecemos hoje.
Embora a apicultura brasileira já venha sendo explorada no Brasil desde 1839, por iniciativa do Padre Antonio Carneiro, que introduziu as abelhas europeias no país com o intuito de garantir a produção de velas para fins religiosos, já é um fato histórico representado pelo desenvolvimento da apicultura antes e depois da introdução das abelhas africanas (Apis mellifera scutellata).
Por serem originárias de países que apresentam inverno rigoroso, estas abelhas tinham o hábito de estocar alimento em quantidade para hibernar (dormir) durante as estações mais frias do ano. Elas se adaptaram muito bem ao clima brasileiro, aumentando as suas populações de forma acelerada e, ainda que possuam ferrão, eram e são abelhas muito mansas, dóceis e de fácil manejo.
Entre os anos de 1845 e 1880, novas colônias foram introduzidas por imigrantes italianos e alemães, que se estabeleceram no sul (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná) e sudeste do país (São Paulo). No final do século passado, foi a vez da introdução da abelha italiana ou amarela (Apis mellifera ligustica), que também tem ferrão.
Sabedor da baixa produtividade apícola brasileira na década de 50 (média de 5 mil toneladas de mel/ano) e convidado pelo governo brasileiro para tentar mudar essa situação, a intenção do introdutor das abelhas africanas no Brasil, o geneticista, Prof. Dr. Warwick Estevam Kerr, renomado cientista brasileiro portador de um dos mais brilhantes currículos e o primeiro cientista brasileiro a ser recebido como membro titular pela Academia de Ciência dos Estados Unidos, era contribuir cientificamente para a melhoria da apicultura brasileira, mediante um programa de melhoramento das abelhas trazidas da África.
Antes da importação, ao fazer um minucioso levantamento bibliográfico da literatura disponível sobre raças e produção de abelhas da África, o Prof. Kerr tomou conhecimento que as abelhas africanas Apis mellifera scutellata eram altamente produtivas (Kerr, 1967). Constatou também que elas apresentavam características positivas e negativas, destacando-se como positivas a alta produtividade das abelhas, resistência e sua alta capacidade de adaptação. As características negativas são alta defensividade e grande tendência de enxamear.
Portanto, mesmo antes de importar as abelhas africanas o Prof. Kerr tinha um plano de fazer um melhoramento genético eliminando ou reduzindo, por seleção de massa, as características negativas (defensividade e enxameação) das abelhas importadas e distribuir posteriormente aos apicultores rainhas já selecionadas e melhoradas.
Infelizmente houve um imprevisto e ocorreu da retirada das telas excluidoras das colmeias ainda em quarentena e o Prof. Kerr foi surpreendido pelas enxameações que se seguiram e a consequente africanização dos apiários antes da realização do programa de melhoramento pretendido. Como consequência, hoje temos em todo o território nacional uma abelha poli-híbrida africanizada, resultante do acasalamento natural das abelhas africanas (Apis mellifera scutellata) com as demais abelhas melíferas também importadas anteriormente, as alemãs (Apis mellifera mellifera), as italianas (Apis mellifera ligustica) e as carníolas (Apis mellifera carnica).
Graças à boa produtividade e alta capacidade de adaptação das abelhas africanizadas, bem como sua alta resistência a doenças de crias e resistência ao ácaro Varroa destructor, a apicultura brasileira é hoje explorada em todo o território nacional, sendo uma das atividades do agronegócio que mais tem sido desenvolvida no Brasil.
Além dessa história, podemos contar também de outra história, ainda mais brasileira. As abelhas sem ferrão são pouco conhecidas e muitas vezes passam despercebidas, mas têm uma importância muito grande, cumprindo seu papel de polinizadoras, ao visitar as flores de árvores e arbustos. Isto acontece assim há milhões de anos.
Estas abelhas, estão ameaçadas de desaparecer pela destruição acelerada dos ecossistemas naturais, condenando muitas espécies a uma existência limitada a registros em livros e museus.
Na história da humanidade o mel foi uma das primeiras fontes de açúcar para o ser humano. Isso é demonstrado pelo uso do mel e do pólen das abelhas nativas sem ferrão nos períodos pré-hispânicos e pré-Cabral, ao papel que desempenharam na dieta das comunidades indígenas americanas. No Brasil, até o século XIX, o mel e a cera, utilizados na alimentação pelos índios e não-índios e na confecção de velas pelos padres jesuítas, eram provenientes das abelhas sem ferrão.
Antes do “descobrimento” e da conquista das Américas, o uso de produtos de abelhas sem ferrão, e, em alguns casos, a sua criação, fazia parte dos costumes socioculturais, inclusive alimentares, medicinais, ritualísticos e comerciais de muitos povos indígenas da América. Ou seja, já eram conhecidas e domesticadas pelos povos pré-colombianos. É o caso dos indígenas Maia de Yucatán (na América Central) que, segundo documentos escritos, antes da chegada dos espanhóis já possuíam os chamados jobones (colméias em troncos ocos recortados), de onde o mel e a cera de abelha eram extraídos. Mas, tradicionalmente, diversas comunidades indígenas brasileiras também faziam uso destas abelhinhas; é o caso dos Kayapó, que demonstraram ter um interessante sistema de identificação, manipulação e de semidomesticação de abelhas sem ferrão.
O Padre Anchieta foi o primeiro dos viajantes a registrar a abundância do mel e das espécies de abelhas existentes no Brasil, e diz: Encontram-se quase vinte espécies diversas de abelhas, das quais umas fabricam o mel nos troncos das árvores, outras em cortiços construídos entre os ramos, outras debaixo da terra, donde sucede que haja grande abundância de cera. Usamos do mel para curar feridas, que saram facilmente pela proteção divina. A cera é usada unicamente na fabricação de velas.
A cana-de-açúcar chegou ao Brasil no século XVI, junto com os portugueses e, pouco a pouco, foi substituindo o uso de mel como adoçante.

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