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DICAS AGROECOLÓGICAS

Por Walter Santos

EFEITOS DOS DEFENSIVOS NATURAIS - INSETICIDAS BOTÂNICOS

Como todo método de controle de insetos, a utilização de extrato de plantas inseticidas visa reduzir o crescimento populacional. No entanto, a mortalidade do inseto é apenas um dos efeitos desses extratos e que, geralmente, necessita de concentrações muito elevadas. Assim, a aplicação de inseticidas botânicos podem não apresentar uma alta mortalidade de pragas mas pode ter seus efeitos sobre a alimentação, reprodução e desenvolvimento dos insetos, os quais podem contribuir para a redução das populações de uma praga.

A avaliação dos efeitos de extratos de plantas sobre insetos pode ser aplicado no alimento ou nas posturas (ovos) os quais são imersos por determinados períodos nos extratos, ou então estes são aplicados em dietas artificiais ou sobre pragas, presas e hospedeiros, sendo constatados os seguintes efeitos: inibição da alimentação ou deterrência, redução do consumo alimentar, atraso no desenvolvimento, deformações, esterilidade e mortalidade.


EFEITOS NA ALIMENTAÇÃO DOS INSETOS

De um modo geral, as plantas apresentam defesas físicas (espinhos, tricomas) e químicas (compostos primários e secundários) que as utilizam como meio de defesa contra herbívoros, mas muitos insetos têm a capacidade de alimentarem-se de plantas que contêm substâncias tóxicas, sem serem prejudicados.

Uma das estratégias é se alimentar de partes da planta onde as substâncias tóxicas estão presentes ou ocorrem em menor concentração. Exemplo disto é o ataque severo de formigas em árvores de nim.

O uso de extratos de plantas, no entanto, faz com que determinados componentes ativos presentes nos vegetais, quando utilizados de forma mais concentrada, atuem no controle de insetos, inibindo sua alimentação ou prejudicando-os após a ingestão.

A deterrência é um distúrbio que está associado a mecanismos sensoriais e causa redução do consumo de alimento. Assim, o comportamento alimentar dos insetos depende da integração do sistema nervoso central com os quimorreceptores, localizados nos tarsos, peças bucais e cavidade oral. Por exemplo, a azadiractina, presente nos extratos de nim, podem atuar sobre os quimioreceptores, estimulando as “células deterrentes específicas” ou bloqueando os fagoestimulantes, como as “células receptoras de açúcar”, inibindo a alimentação, o que reduz o consumo de alimento e provoca deficiência nutricional.

A falta de nutrientes, por sua vez, pode ocasionar um atraso no desenvolvimento ou deformações. Da mesma forma, a ocorrência de deformações ou deficiência nutricional, diminui também a capacidade de movimentação do inseto, na procura por alimentos de melhor qualidade ou de locais para abrigo ou reprodução, tornando-o também mais suscetível ao ataque de inimigos naturais.


EFEITOS NO DESENVOLVIMENTO DOS INSETOS

O alongamento de fases do ciclo biológico e a ocorrência de deformações e morte durante essas fases são alguns dos efeitos de extratos vegetais já constatados sobre insetos. Os efeitos fisiológicos dos extratos são muito mais consistentes que os efeitos de inibição alimentar. Os efeitos fisiológicos causam interferência no crescimento e nos processos de metamorfose dos insetos, além de prejudicarem a reprodução e outros processos celulares.

Os efeitos fisiológicos podem ser indiretos – aqueles que são decorrentes da interferência hormonal do ingrediente ativo; e diretos – quando há inibição da divisão celular e síntese de proteínas, com o inseticida atuando diretamente sobre células e tecidos.

A formação de indivíduos intermediários entre pré-pupa e pupa pode ocorrer quando a atividade do hormônio juvenil, que controla a metamorfose, é afetada. Vale salientar que o atraso no desenvolvimento pode também ser decorrente da menor eficiência de conversão alimentar, causada pelo desvio de parte dos nutrientes à degradação de substâncias tóxicas presentes no alimento.


EFEITOS NA REPRODUÇÃO DOS INSETOS

A redução do número de ovos e a inibição da oviposição são importantes efeitos de extratos vegetais sobre a reprodução dos insetos. Diversos autores revelam que a ocorrência de esterilidade está geralmente associada a distúrbios alimentares e deficiência nutricional. A alimentação larval pode influenciar o número de ovaríolos por ovário e, conseqüentemente, reduzir o potencial de produção de ovos.

Algumas espécies de insetos não se alimentam, ou utilizam alimentos de baixa qualidade nutricional na fase adulta, e dependem de reservas protéicas acumuladas pelas larvas. Por isso, os insetos alimentados na fase larval com dietas ricas em proteínas formam pupas mais pesadas e adultos que produzem mais ovos que os insetos alimentados com dietas pobres.

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