Veneno levado pela chuva até os córregos e ribeirões contamina água, afeta saúde de peixes e de animais que a consomem

Saúde dos peixes afetada

Biólogos da Universidade Estadual de Londrina passaram 2017 estudando um dos rios da região, o Ribeirão Cafezal. Eles analisaram a presença de resíduos de venenos na água e descobriram que a saúde do peixes foi afetada.

Dos 33 agrotóxicos usados atualmente que foram analisados, 7 foram encontrados no ribeirão.

Também foram encontrados vários organoclorados, agrotóxicos que não se usa mais, entre eles o endosulfan, que teve a venda proibida no Brasil em 2013, e o DDT, inseticida proibido desde 1985.
Os resíduos estavam abaixo dos limites de segurança estabelecidos pela lei, mas mesmo assim, afetaram a saúde dos peixes.

"Esses resíduos de endosulfan foram os que mais preocuparam. Porque verificamos um aumento do endosulfan no fígado dos peixes", explica Cláudia Martinez, doutora em fisiologia de animais aquáticos.

Em outra linha de pesquisa, dentro do laboratório, peixes e pequenos moluscos foram mantidos em água com uma mistura de dois herbicidas de uso atual.

"Quando esses animais foram expostos aos dois herbicidas juntos, começamos a observar um aumento significativo de danos no DNA. Ou seja, a gente tem o efeito da mistura de dois herbicidas, diz Cláudia.

"Mas o que a gente viu no ambiente, pelo menos nesse último trabalho, foram ao menos 7 na água", completa.


Teste com glifosato

Na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, em Cascavel, outra pesquisa investiga o efeito dos agrotóxicos na vida de cobaias de laboratório.

Durante a prenhez e lactação, as fêmeas receberam água com o herbicida glifosato, também abaixo dos limites permitidos por lei. Depois, os pesquisadores avaliaram a saúde dos filhos dessas cobaias, na idade adulta e os resultados foram assustadores.

"A primeira coisa que a gente observou foi um aumento da intolerância à glicose e de uma baixa sensibilidade à insulina. Isso pode predispor o animal ao diabetes. Outra coisa que a gente verificou é que o fígado deles já apresenta focos inflamatórios", explica a bióloga e professora Maria Lúcia Bonflair.

No sistema reprodutor é que a gente mais observou alterações. A gente viu uma diminuição na quantidade de espermatozoides", diz a especialista.

Procurada, a Bayer, fabricante do glifosato, questionou o rigor científico da pesquisa. Em nota, a empresa alegou que foi utilizado um número reduzido de cobaias e que o tempo de exposição ao produto não corresponde ao que acontece no campo.

Citou, ainda, o relatório divulgado recentemente pela Anvisa, afirmando que o produto não afeta o sistema endócrino.

Cynthia Malaghini, gerente de avaliação de conformidade da Companhia de Abastecimento de Água e Saneamento do Paraná (Sanepar), explica que, duas vezes por ano, é obrigatório monitorar a presença de contaminantes agrícolas na água fornecida à população.

"Nós testamos os princípios ativos que estão na portaria de consolidação 5 do Ministério da Saúde. Atualmente, são 38. Mas no estado todo se usa mais de 500, que não são avaliados", diz.

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