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Nutrição, saúde e qualidade de vida

A água Alcalina mitos e verdades.

A primeira questão é se é possível alcalinizar o sangue com dietas ou águas alcalinas. Da mesma forma, vamos ver também se é possível acidificar o sangue com dietas ou águas ácidas.

Já vou adiantar que a resposta é NÃO! E se você quiser saber a razão disso, continue lendo; se não, pode parar e continuar acreditando como antes…

A água pura apresenta pH neutro, possuindo um valor de pH igual a 7 em 25 °C, não sendo ácida nem básica. Segundo o Dr. Souto, “o pH da água é sempre 7 – o pH da água é sete, neutro. Não existe água alcalina! Não existe água ácida! A água será alcalina se ela for uma solução fraca de sais alcalinos. Por exemplo, se eu pegar magnésio e misturar na água, eu não terei água alcalina, vou ter uma “solução diluída alcalina de magnésio”. Se eu botar enxofre na água, não terei uma água ácida, terei uma “solução ácida diluída de enxofre”, de ácido sulfúrico e etc. Então, a quantidade desses sais que está diluída na água para alcalinizar o pH dela é uma quantidade muito pequena. É uma quantidade medida em miligramas ou microgramas. Perto das quantidades que consumimos na comida, é irrelevante.

A segunda informação extremamente importante é a de que o pH do sangue é muito estável. Ele praticamente não muda com o que a gente come ou deixe de comer! Mas isso acontece por que os pulmões e os rins são poderosos reguladores de pH do sangue. Então, se existe um pouco mais de ácido sendo formado, quem bota esse ácido para fora são os rins. Se existe um excesso de sais alcalinos em circulação, quem bota isso para fora é o rim. Então, é o pH da urina que varia muito dependendo daquilo que nós comemos, e não o sangue!

Todos os líquidos corporais: no sangue, na linfa, no líquido crânio-sacral ou nos líquidos intracelulares e extracelulares, são levemente alcalinos. Do ponto de vista metabólico, essa estabilização levemente alcalina dos líquidos corporais, que gera um pH entre 7,36 a 7,42, é a condição ideal para todos os processos orgânicos acontecerem da forma mais equilibrada e harmônica. Por isso, favorece a saúde, sua preservação, a prevenção de doenças, além de ajudar no resgate da saúde de organismos desmineralizados e desvitalizados.

O pH do sangue é 7,40, levemente alcalino: Enzimas percorrem todo o nosso corpo, mas funcionam apenas numa estreita faixa de pH. Desvios de apenas 0,2 na escala de pH, para cima ou para baixo, podem causar coma ou até serem fatais. Talvez uma das habilidades mais notáveis do sangue seja a de manter praticamente constante o pH apesar de ácidos e bases, de um modo ou de outro, surgirem na corrente sanguínea. Isto é possível pela chamada “Regulação do Equilíbrio Ácido-Básico”, que é a regulação do íon Hidrogênio nos líquidos corporais: Se o pH do sangue subir ou descer muito, ocorre a morte celular, evidenciando a impossibilidade de uma pessoa conseguir viver com o pH ácido!

O desequilíbrio acidobásico é atribuído a distúrbios ou do sistema respiratório (PaCO2), ou metabólico. Na acidez existe uma grande quantidade de íons H+ livres. Já na base o que aumenta são os íons hidroxila (OH–).

Quimicamente, ácidos e bases tendem a se neutralizar, formando água: H+ + OH– => H2O. Combinações perfeitamente equilibradas criam água com pH neutro (7.0)

Porque o organismo possui esta regulação do pH através dos pulmões e dos rins? Porque o metabolismo celular gera ácidos e bases, influenciando no pH dos fluidos corporais e gerando alterações no pH do meio orgânico, modificando a estrutura das proteínas.

Se o pH cai abaixo de 7,20, resulta uma condição conhecida como Acidose. Se o pH se eleva acima de 7,60, tem-se a condição oposta: a Alcalose. Qualquer uma das duas afeta seriamente a química do corpo humano. A disfunção do Hidrogênio causa uma série de alterações no organismo, sendo que:

A Acidose deprime a atividade mental e pode levar ao coma e à morte (p. ex. por causa de diarreias graves e diabetes mellitus descompensada); o coma acontece com o pH de 6.9.

A Alcalose provoca hiperexcitabilidade do sistema nervoso, causando contrações tetânicas, convulsões e morte, que acontece a partir do pH 7.8.

Os sistema de regulação do pH corporal são feitos a partir de 3 mecanismos:

1 Tampões químicos (tamponamento químico dos fluidos corporais).
2 Regulação renal (Ajuste respiratório da concentração sanguínea de dióxido de carbono – CO2).
3 Regulação respiratória (Excreção de íons Hidrogênio ou Bicarbonato pelos rins).

Os tampões químicos são substâncias químicas que podem combinar com os ácidos e bases para não modificar significativamente o pH. São 4 os sistemas de tamponamento principais:

1 Sistema tampão ácido carbônico – bicarbonato (45% da capacidade tampão total);
2 Sistema tampão de fosfato (glóbulos vermelhos, células tubulares renais);
3 Sistema tampão de proteínas (células dos tecidos);
4 Sistema tampão de hemoglobina dos glóbulos vermelhos.

O tampão Bicarbonato é o principal tampão plasmático e é produzido a partir da hidratação do CO2: a produção do ácido carbônico é a maior fonte do H+ do organismo: CO2 + H2O => H2CO3.

Tamponamento pela Hemoglobina: Parte na forma de íons proteinato (Hb-) e parte na forma de ácido fraco (HHb). Adição: H+ + Hb => HHb.

Tampão de Fostato e Proteína: Importante para a regulação intracelular já que sua concentração é maio que o Bicarbonato. As proteínas ligam os íons Hidrogênio de forma semelhante à hemoglobina. O Fosfato age de forma semelhante ao bicarbonato.

A regulação respiratória do Hidrogênio é muito importante e de efeito extremamente rápido. O gás carbônico está sendo continuamente produzido por todas as células do corpo, como um dos produtos finais do metabolismo. Esse gás se combina com água para formar ácido carbônico: CO2 + H2O => H2CO3.

Uma das funções da respiração é eliminar o gás carbônico para a atmosfera, sendo que falhas neste mecanismo aumentem a concentração do CO2 no sangue. A diminuição da respiração aumenta o ácido carbônico, aumentando o H+ e as paradas respiratórias podem diminuir o valor do pH para 7.1.

A regulação renal de compensação do equilíbrio ácido-básico é o mais lento e demorado. Quando o pH do sangue se altera, os rins eliminam urina ácida ou alcalina, conforme as necessidades, contribuindo para regular a concentração de íons Hidrogênio do sangue e demais líquidos orgânicos.

Os três principais mecanismos funcionais do sistema renal são a Filtração glomerular, a Reabsorção tubular e a Secreção tubular.

Através do mecanismo da secreção tubular, os rins transformam o dióxido de carbono em ácido carbônico ionizado. O íon Hidrogênio assim é eliminado para a urina em troca por sódio ou potássio que se combinam ao íon bicarbonato, retornando ao líquido extracelular, para alcançar a corrente sanguínea.

Quando há bicarbonato em excesso no sangue, os rins eliminam o íon Bicarbonato em conjunto com o íon Hidrogênio, o que torna a urina alcalina e contribui para a regulação das bases existentes.

Os rins eliminam material não volátil que os pulmões não têm capacidade de eliminar. A eliminação renal é mais lenta, tornando-se efetiva após algumas horas e demora alguns dias para compensar as alterações existentes. Os rins têm a capacidade de reabsorver o sódio (Na+) e o potássio (K+) filtrados para a urina, eliminando o íon Hidrogênio (H+) em seu lugar; o sódio reabsorvido pode ser usado para produzir mais Bicarbonato e reconstituir a reserva de bases do organismo.

Toda esta longa explicação foi colocada aqui apenas para mostrar ao leitor que existem estudos profundos sobre o tema da regulação do pH orgânico, assim como mecanismos perfeitamente eficazes para equilibrar o pH de nosso corpo. Qualquer teoria que contradiga tudo isso ou é má fé (no caso das pessoas que sabem que isto é falso mas mantém a mentira para ganharem alguma coisa com isso como fama, dinheiro e poder), ou é ignorância (no caso dos leigos que leram e acreditaram na mentira contada pelos primeiros)!

Este mecanismo renal de regulação do pH é demonstrado no pH do exame comum de urina, cujo padrão de normalidade vai desde 4.6 até 8.0, dependendo dos valores laboratoriais.

A urina é naturalmente ácida, já que o rim é o principal meio de eliminação dos ácidos do organismo. Enquanto o pH do sangue costuma estar em torno de 7,4, o pH da urina varia entre 5,5 e 7,0, ou seja, bem mais ácida.

Valores de pH maiores ou igual 7 podem indicar a presença de bactérias que alcalinizam a urina. Outros fatores que podem deixar a urina mais alcalina são uma dieta pobre em proteína animal, dieta rica em frutas cítricas ou derivados de leite, e uso de medicamentos como acetazolamida, citrato de potássio ou bicarbonato de sódio. Ter tido vômitos horas antes do exame também pode ser uma causa de urina mais alcalina. Em casos mais raros, algumas doenças dos túbulos renais também podem deixar a urina com pH acima de 7,0.

Valores menores que 5,5 podem indicar acidose no sangue ou doença nos túbulos renais. Uma dieta com elevada carga de proteína animal também pode causar uma urina mais ácida. Outras situações que aumentam a acidez da urina incluem episódios de diarreia ou uso de diurético como hidroclorotiazida ou clortalidona.

O valor mais comum é um pH por volta de 5,5-6,5, porém, mesmo valores acima ou abaixo dos descritos podem não necessariamente indicar alguma doença. Este resultado deve ser interpretado pelo seu médico.

O Dr. Souto explica ainda no site citado um assunto importante em relação ao pH da água e os filtros:

“Embora já tenhamos explicado que a comida não mude o pH do sangue (mas que pode alterar o pH da urina), nós temos que pensar que a quantidade de cálcio, magnésio, fósforo e etc., que tem na comida são ordens de magnitude maior do que a quantidade que tem na água – seja ela alcalina ou ácida. A capacidade que uma solução extremamente diluída de magnésio ou cálcio, que é erroneamente chamada de água alcalina vai ter de alterar qualquer coisa no sangue ou na urina é menor do que quanto a comida é capaz de influenciar nesses parâmetros. Então, o que o Rodrigo falou está absolutamente correto. Um bom filtro pode ser bom para tirar o gosto da água, para tirar impurezas. Filtrar significa isso, remover coisas, e não acrescentar.”

Afinal, então como os filtros oferecem a tão famosa “água alcalina”?

Um dos sites de venda deste tipo de filtro explica com detalhes (eu vou ocultar a fonte, para evitar dissabores e ataques jurídicos desnecessários): “Existem duas maneiras de tornar a água alcalina: o primeiro, por um processo eletrolítico (eletrólise), e o segundo por combinação de minerais. O filtro de água alcalina tem um sistema de tratamento que eleva o pH da água para acima de 8,0 por possuir esferas que liberam o magnésio e produzem grande carga de elétrons.” Como é o filtro que aumenta o pH da água através da liberação do magnésio do filtro, o mineral vai esgotando, sendo preciso repor, conforme o fabricante: “A recomendação é que a troca do refil seja feita de 6 a 8 meses em média. Para facilitar a manutenção, você pode ir medindo o pH de mês em mês, verificando se é mesmo necessário trocar. A substituição depende da quantidade de água utilizada no filtro.”

Finalmente, para resumir tudo isso, podemos concluir que NÃO IMPORTA QUANTA ÁGUA ALCALINA VOCÊ BEBA, NEM QUANTA DIETA ALCALINA VOCÊ CONSUMA, O pH DO SEU SANGUE OU O pH DOS SEUS LÍQUIDOS EXTRACELULARES NÃO VÃO FICAR ALCALINOS! A ÚNICA COISA QUE VAI FICAR ALCALINA É A SUA URINA!

E aquela história que o limão alcaliniza o organismo?

A primeira questão aqui é que o pH do estômago é mais ácido quanto o do limão! O suco gástrico é formado basicamente por água, ácido clorídrico e enzimas digestivas e seu pH varia entre 1,5 e 2, mas em indivíduos com gastrite ele fica ainda mais ácido. E o sumo do limão costuma ter um valor de pH próximo de 2,0 (a 25 °C), o que é significativamente ácido! Então, sendo o limão uma fruta ácida, e quase tão ácido quanto o seu estômago, de que modo ele seria capaz de alcalinizar o sangue?

Afinal de contas, porque o estômago tem um pH tão ácido? Vejamos:

“O suco gástrico, produzido no estômago, é um líquido claro que atua sobre as proteínas, transformando-as em polipeptídios, para que depois, no intestino delgado, esses polipeptídios sejam transformados em aminoácidos e sejam absorvidos.

O suco gástrico contém água, enzimas (tais como o pepsinogênio que, em contato com o ácido clorídrico, é ativado como pepsina e tripsina), sais inorgânicos, ácido clorídrico e uma quantidade mínima de ácido láctico. A sua função é atuar sobre o quimo, proporcionando a digestão gástrica dos alimentos, principalmente das proteínas.

O HCl presente no suco ajuda a destruir as bactérias presentes nos alimentos. Proporciona ainda o meio ácido ideal para a atuação das enzimas do suco, isto porque o seu pH é o 2,5. O estômago produz cerca de três litros de suco gástrico por dia.”

Um certo médico muito famoso aqui no Brasil e que diz muitas coisas que todo mundo acredita, disse certa vez em um vídeo:

“O pH do sangue é 7.35 a 7.45. Veja qual é o pH da água que você toma; a maioria é menos de 6. Então, quando eu tomo uma água que tem o pH abaixo do pH sanguíneo, eu vou ter que por o meu corpo para trabalhar, só para equilibrar o pH. Para você ter uma ideia, um refrigerante tem um pH de 2.5. Uma criança que toma um copo de refrigerante, ela tem que tomar 32 copos de água boa, só para anular o prejuízo! Para cada copo de refrigerante que o seu filho toma, ele deveria tomar 32 copos de água da boa, só olha o estrago. Aí ele não vai bem na escola, ele fica doente, aí ele engorda… porque você está deixando ele tomar veneno.”

As duas informações são verdadeiras: Ele confirma o pH fixo do sangue entre 7.35 e 7.45 e confirma que o nosso corpo “trabalha para equilibrar o pH do sangue”. A verdade médica termina aqui!

Já a frase “Para cada copo de refrigerante que o seu filho toma, ele deveria tomar 32 copos de água da boa, só para anular o prejuízo” não tem nenhum fundamento depois de tudo o que foi dito até aqui, até mesmo pelo que ele fala na correção do pH imediatamente anterior à segunda afirmação. Ela poderia ter algum fundamento se fossemos corrigir o pH do refrigerante fora do organismo humano, já que aí a correção seria puramente química, sem nenhuma interferência dos mecanismos biológicos até aqui demonstrados.

Outra dúvida que se evidencia é porque a criança “não iria bem na escola, ficaria doente, e engordaria“, por causa do pH do refrigerante? Se o tema fosse os produtos químicos contidos na bebida, adoçantes, corantes e flavorizantes sintéticos, tudo bem… mas o pH?

A pergunta aqui é porque o pH do refrigerante seria tão maléfico assim, sendo de 2.5, se o pH do seu próprio estômago é de 1.0 a 3.0?? E qual deveria ser então o mal causado pelo pH do suco de limão, que é mais ácido do que o do refrigerante? Mais ácido que o seu estômago, somente o ácido de bateria!

Alguns valores comuns de pH:
Substância e pH
Ácido de bateria: < 1,0
Suco gástrico: 1,0 – 3,0
Sumo de limão: 2,2 a 2,4
Refrigerante tipo Cola: 2,5
Vinagre: 2,4 a 3,4
Sumo de laranja ou maçã: 3,5
Cervejas: 4,0 a 5,0
Café: 5,0
Chá: 5,5
Chuva ácida: < 5,6
Leite: 6,3 a 6,6
Água pura: 7,0
Saliva humana: 6,5 a 7,5
Sangue humano: 7,35 a 7,45
Água do mar: 8,0
Sabonete de mão: 9,0 a 10,0
Amoníaco: 11,5
“Água sanitária”: 12,5
Hidróxido de sódio (soda cáustica): 13,5

Um outro risco que pode acontecer tomando água muito alcalina e que ninguém tem falado em nenhum lugar é causar a Hipocloridria do estômago, uma doença extremamente comum e desconhecida inclusive pela maioria dos médicos de todo o mundo!Segundo um site da Coca-Cola, podemos ler que: “O pH da Coca-Cola é em torno de 2,5. A maioria dos alimentos e bebidas é ligeiramente ácida, como, por exemplo: iogurte, limonada, suco de laranja e geleias. O pH baixo da Coca-Cola tem uma função importante: intensificar o sabor e evitar o desenvolvimento microbiológico.”

Os sintomas da Hipocloridria são muito parecidos com o da Hiperacidez e algumas vezes a utilização de antiácidos mascara a real causa da disfunção digestiva. A pepsina, uma enzima digestiva, é produzida pelas paredes do estômago, sendo secretada pelo suco gástrico e tem como função digerir proteínas. No entanto, como ela só atua em meio ácido, o estômago também produz o ácido clorídrico (HCL), que converte o pepsinogênio em sua forma ativa, a pepsina, que por sua vez atua na digestão dos alimentos proteicos. A deficiência do HCL contribui para a redução dos níveis de pepsina, consequentemente, os alimentos não são digeridos, e os sintomas de hipocloridria se desenvolvem.

Alguns dos sintomas relacionados a esse fator incluem: queimação, inchaço, eructação, sensação de satisfação ou peso estomacal, especialmente após as refeições, náuseas após comer ou tomar suplementos, candidíase por repetição, azia, indigestão, mau hálito, diarreia ou constipação intestinal, gases, unhas fracas, acne, urticárias, presença de alimentos nas fezes, entre outros. Com o envelhecimento, a secreção de HCL também pode reduzir e resultar em níveis menores de pepsina, o que dificulta ainda mais o processo de digestão.

Fonte:

http://drpaulomaciel.com.br/a-agua-alcalina-mitos-e-verdades/
Dr. Paulo Maciel

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