Programa Conversas sobre Agroecologia vai ao ar às 5 h, com reprise às 17 h.

A agricultura da revolução verde é incompatível com florestas em pé

Está cada vez mais evidente que o modelo de agricultura implantado sob a lógica capitalista e o modelo tecnológico da revolução verde são ambientalmente insustentáveis. Trata-se de sistemas extremamente destrutivos tanto do ponto de vista do consumo de matéria e energia e elevados níveis de contaminação química da natureza, como, sobretudo, pela sua inerente capacidade de destruição da biodiversidade. No programa de hoje vamos tratar apenas sobre os impactos da agricultura convencional capitalista sobre a biodiversidade

Não é por acaso que a devastação dos biomas brasileiros está diretamente associada ao avanço do modelo agrícola industrial-capitalista agroquímico e de monocultivos em direção ao que é simplesmente considerado como “fronteira agrícola”, como se fronteira agrícola fosse um espaço livre de biodiversidade e de gente.

Embora a destruição dos nossos biomas tenha iniciado com a colonização, no início dos anos 1500, não resta dúvida de que foi nas décadas da chamada modernização da agricultura, a partir dos anos 60, quando vimos vir abaixo a maior parte das áreas destruídas de matas de todos os biomas do Brasil.

Segundo os últimos dados sobre desmatamento divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente, por mais que sua divulgação pelo ministro tente amenizar o tamanho dos danos ambientais, eles de fato são alarmantes. A destruição continua da Amazônia aos pampas sulinos.

Por falar no bioma Pampa, localizado no estado do Rio Grande do Sul, cabe salientar que ele já perdeu mais de 50% de sua área de cobertura original, especialmente devido ao avanço da soja e da pecuária e, mais

recentemente, pelo crescimento das enormes áreas ocupadas pelas monoculturas de árvores (eucaliptos e pinus) para produção de celulose.

Por sua vez, o Cerrado brasileiro, com uma área total de 2.039.386 Km², já perdeu, também, mais de 50% de sua cobertura original. A destruição do Cerrado nos estados do chamado MATOPIBA - Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia - é uma demonstração clara da capacidade de danos dos monocultivos da agricultura industrial capitalista E pior, com o apoio de políticas públicas do Estado nacional. Cabe lembrar que o Cerrado é considerado um bioma produtor de água, que abastece rios de várias regiões embora isso não seja levado em conta pelos governos e nem pelos produtores rurais.

A Mata Atlântica já perdeu mais de 75% de sua cobertura florestal original. Aqui em Pernambuco, é a cana-de-açúcar o monocultivo principal. Entretanto, o etanol continua sendo propalado como fonte de energia “limpa”. Como pode ser considerado que o etanol seria uma fonte limpa se a sua produção começa com a destruição e contaminação do meio ambiente e está assentada na exploração do trabalho humano.

O Pantanal, uma enorme reserva de biodiversidade, com área de 151.131 Km² perdeu em seis anos, de 2002 a 2008, cerca de 4.279 Km². Isto é, 713 Km² por ano.

Na Amazônia, embora se faça muita propaganda da redução do desmatamento nos últimos anos, há estados como o Mato Grosso em que o desmatamento vem aumentando de forma sustentada o que mostra uma tendência de continuidade do problema do desmatamento e perda de biodiversidade. No estado do Amazonas tem havido um crescimento continuado do desmatamento. Do mesmo modo, nos estados de Rondônia e

Maranhão também há um aumento continuado do desmatamento, embora em menor intensidade.

Portanto, não temos nada a comemorar sobre a questão ambiental e o desmatamento no Brasil. Pelo contrário, diante do quadro dramático do desmatamento desenfreado só mesmo os tecnocratas desenvolvimentistas e seus aliados capitalistas podem festejar, à custa da natureza e de todos os outros danos sociais e culturais impostos ao resto da sociedade nacional.

Deveríamos perguntar aos grandes produtores agrícolas capitalistas: Como vamos salvar as futuras gerações? Começo a temer por meus netos.

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