Nove em cada 10 pessoas no mundo respiram ar contaminado, alerta OMS

RIO - A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta quarta-feira atualização de suas estimativas sobre a exposição e mortes causadas pela poluição atmosférica tanto em ambientes externos quanto domésticos. E os novos cálculos resultaram em números pouco diferentes dos registrados nos levantamentos anteriores, numa amostra que também pouco se está fazendo para enfrentar a questão.

Segundo a OMS, nove em cada dez pessoas vivem em lugares onde respiram poluentes, em especial o chamado material particulado (MP), em concentrações acima das recomendadas pela própria organização. Estas partículas, principalmente as menores, vão parar nos pulmões, com as mais “finas” chegando a entrar na corrente sanguínea, o que leva à ocorrência de doenças respiratórias e cardiovasculares responsáveis pela morte de 7 milhões de pessoas anualmente.

- A poluição do ar ameaça a todos nós, mas são os mais pobres e marginalizados que carregam a maior parte deste fardo – destacou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, no comunicado anunciando a atualização. - É inaceitável que mais de 3 bilhões de pessoas, a maioria mulheres e crianças, ainda respirem fumaça mortal todos os dias pelo uso de fornos e combustíveis poluentes em seus lares.

No Brasil, de acordo com as últimas estimativas da OMS, a poluição atmosférica tanto em ambientes externos quanto domésticos provocou cerca de 64 mil mortes em 2016. E o problema tende a se agravar nas duas frentes. Isso porque, do lado externo, o monitoramento da qualidade do ar nas cidades não só é escasso como falho, além de atender a padrões defasados para sua regulamentação.

Estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) em 1990, e sem alterações desde então, estes padrões não incluem, por exemplo, o chamado MP 2,5, o material particulado mais fino, com até 2,5 micrômetros (milésimos de milímetro) de diâmetro, e o mais nocivo à saúde. E mesmo no que é regulamentado, o MP 10 (partículas com até 10 micrômetros de diâmetro), os limites estão muito além dos valores recomendados pela OMS. Aqui, a média aceitável de 24 horas do MP 10 é de 150 microgramas (milésimos de grama) por metro cúbico de ar, o triplo dos 50 microgramas preconizados pela organização, enquanto que o limite brasileiro para a média anual do MP 10 é de 50 microgramas por metro cúbico de ar, mais do dobro dos 20 prescritos pela OMS.

- Em todas cidades brasileiras onde há monitoramento da qualidade do ar os níveis de poluentes estão acima dos recomendados pelo OMS – resume Evangelina Vormitagg, médica patologista clínica que também é diretora-presidente do Instituto Saúde e Sustentabilidade, dedicado ao estudo e comunicação da relação entre poluição e saúde humana. - Mas como nossos padrões de qualidade do ar também estão extremamente defasados, as autoridades dizem que as medidas estão dentro do tolerável. Assim, pior que ter um padrão fora do recomendado pela OMS é comunicar à população que os níveis estão dentro do normal, não respeitando nem o direito das pessoas de terem informações para poderem se proteger.

Já nos ambientes internos, as recentes altas no preço do gás estão levando cada vez brasileiros a usarem lenha e carvão na cozinha, principal fonte de poluentes no ar doméstico. De acordo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE divulgada na semana passada, num espaço de apenas três meses subiu de 16,1% para 17,6% a parcela de lares que também usa lenha ou carvão no preparo de alimentos, o que significa que mais 1,2 milhão de brasileiros passaram a ficar expostos a este tipo de poluição.

- A poluição do ar doméstico é uma das menos conhecidas entre as grandes ameaças à saúde pública – conta Adriana Gioda, professora do Departamento de Química da PUC-Rio, onde se dedica a pesquisar a poluição atmosférica e seus efeitos. - Assim, podemos esperar um aumento significativo de problemas respiratórios, doenças e mortes com este aumento no uso destes combustíveis para cocção pelos brasileiros.

E não são poucas as consequências para a saúde acarretadas por estes poluentes. O cardiologista Sergio Timerman, diretor do Centro de Treinamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia, lembra que já há algum tempo a poluição atmosférica tem sido relacionada diretamente com o desenvolvimento de diversas doenças. E, diferentemente do que se poderia pensar, não são os pulmões que mais sofrem com a sujeira do ar, mas o coração.

- A poluição do ar é de fato um fator de risco para doenças cardiovasculares como se estivéssemos falando de outros mais conhecidos, como tabagismo, obesidade e diabetes – diz. - Ela provoca inflamações nas artérias que levam ao seu enrijecimento e entupimento, além de aumentar a viscosidade do sangue, fazendo com que o coração tenha que trabalhar mais em condições piores.

E, para piorar, umas das principais estratégias recomendadas para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, a prática de exercícios físicos, acaba se tornando um perigo em ambientes muito poluídos.

- O problema é tamanho que muitos países estão tomando providências como restringir o uso de veículos e alertar a população quanto ao perigo de fazer exercícios em locais muito poluídos

- conta. - A pessoa acha que está se prevenindo, mas na verdade está aumentando a possibilidade de ter um incidente, já que em quem tem problemas preexistentes a poluição atmosférica pode ser mais um fator agravante ou até desencadeador de um infarto ou um acidente vascular cerebral (AVC).

Mais de 90% da população mundial respira um ar contaminado, advertiu nesta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera a poluição responsável por sete milhões de mortes ao ano.


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