ÁGUA PARA OS SERES VIVOS, NÃO PARA O CAPITAL

O Fórum Alternativo Mundial da Água, o FAMA, foi realizado em Brasília, nos dias 17 a 22 de março. Ao contrário do Fórum promovido pelas grandes empresas que usam e desejam controlar as águas como fontes de negócio, o Fórum dos povos da água não recebeu quase nada de recursos e apoios públicos, mas contou com a presença de mais de sete mil pessoas vindas de todas as regiões do Brasil e de outros países da Terra.

Todas as pessoas que organizaram o FAMA não queriam apenas realizar um grande evento em Brasília. Elas desejavam que, junto com o Fórum, fossem realizadas atividades concretas de luta pela água em muitas localidades, e isso aconteceu. E queriam que a luta em favor da água para todos os seres vivos continue depois do FAMA, e certamente ela se tornará cada dia mais forte. É o desejado, por exemplo, pelo Comitê do Fama do Distrito Federal, que se reunirá no dia 27 para avaliar o que o que já conseguiram fazer e planejar a continuidade do processo.

Tudo que foi realizado no FAMA foi importante e marcará a luta daqui pra frente. Mas vale destacar a presença dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Eles conquistaram espaço, tomaram a palavra e publicaram sua Carta-Denúncia dos Povos. Destaquemos, hoje, o primeiro parágrafo dessa Carta:

“Nós, os Povos Originários e Comunidades Tradicionais do Brasil, os guardiões das águas e da natureza, reunidos no Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), realizado no período de 17 a 22 de março de 2018, em Brasília-DF, berço das águas, para denunciar ao país e ao mundo as violações à natureza e aos direitos dos povos, trazemos aqui nossas perspectivas sobre as aguas, sobre os crimes praticados e seus impactos, sobre a luta, e sobre os desafios e as alternativas para a proteção da vida saudável com qualidade para esta e as futuras gerações, bem como para exigir a responsabilização e reparação pelos danos causados. Declaramos que as águas são seres sagrados. Todas as águas são uma só água em permanente movimento e transformação. A água é entidade viva, e merece ser respeitada.”

Veremos, nos próximos programas, como esta consciência crítica em relação ao que estão fazendo com a água as grandes empresas capitalistas e governos, e como esta visão de que nós, seres humanos, e todos os seres vivos somos água e precisamos ter uma relação sagrada com as águas foram assumidas por todos os participantes do FAMA.

Ivo Poletto, do Fórum MCJS

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